Da beira do lago


A festa da música

Genebra é silenciosa e recatada. A mim, é angustiante saber que essa vida pública ritualizada e um tanto anódina esconde uma potencialidade brutal de trocas culturais. É que sem aparecer na vida pública, não há intercâmbio vasto. Isso merece notas à parte, pois se liga aos piores traços da cidade: o seu conservadorismo burguês-cortesão.
Mas Genebra guarda em si o mundo todo; sabe-se lá onde, mas guarda. Aqui, em se procurando, tudo há; do óbvio ao inimaginável.
Essa foi a festa mais bonita na qual eu fui nesse ano. Pela primeira vez, vi a diversidade cultural que essa cidade abriga tomando conta do espaço público e inscrevendo nele seus instrumentos, seus sons e suas danças. Festa de tudo e pra todos, hip hop, gospel, heavy metal, funk, rock, blues, jazz, dark, eletrônica, música clássica, barroca, moderna, romântica, Zequinha de Abreu, Cláudio Santoro e a Escola de Samba Unidos de Genebra, dá licença! Muito Villa-Lobos e muita bossa-nova, algum Tom Jobim pra orquestra. E música da África do sul, do oeste, do leste, do centro. Música do Mahgreb, cigana, andalusa, árabe, do yemem, da índia, cubana, mexicana. Kurt Weill e Louis Armstrong. Muita dança, também. De batuque, flamenca, contemporânea. E sem falar na dança do público de todas as idades, seja ela a salsa, seja o samba, seja a cigana.
Tudo ao mesmo tempo.
São quase 50 palcos. 40 na cidade, 10 pelo cantão.
Ver tanta gente indo de um lado pro outro, tomando a cidade e fazendo dela um grande cenário festivo já é um espetáculo em si. Grupos de jovens, famílias, velhos, adultos, músicos, deficientes, amigos, casais, crianças...
E tudo coroado pelo céu azul com o sol que se põe depois das 22. Ótimo, pois já não suportamos mais o frio, nem o céu cinza.
E pra nos levar para casa, a imensa lua cheia e toda brilhante.
Sei não, mas nesses três dias Genebra se carnavaliza sem saber...


Escrito por Mauricio às 14h16
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o que vi na festa da música

Sexta, 17 de junho
Desfile de fanfarras na cidade velha
Jazz, com Kurt Weill projekt
Dança – flamenco com El Andalus
Dança – flamenco e contemporânea com Ana la China e Virginie Scherly
Dança – flamenco – sin fronteiras

Sábado, 18 de junho
Dança etiope com Gihabaye
Canções ciganas com Amésia Mémor
Nueva trova cubana com Ariel Diaz e Amanda Cepero
Canções a cappella com o grupo coral Lakeside boys
Canções do mundo com o grupo coral Lucibelle
Oriental music ensemble (música palestina)
Mostar Sevda Reunion (música dos bálcãs)

Domingo, 19 de junho
Música arabo-andalusa com Les nomades trio
Música brasileira com a orquestra de Lancy-Genève
Salsa com Son Band Pinton
Música do Mali (kora) com Mara Diabate
Percussão e dança afro-cubana com Conjunto Añabi
Dança contemporânea com KikaCompany


Escrito por Mauricio às 13h48
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o que não vi na Festa da Música

Sexta, 17 de junho
Música e dança afro-colombiana com Trinar de la montana
Salsa com Verde Parra Big band
Fora o Funk, o Gospel e a música clássica européia

Sábado, 18 de junho
Música da áfrica negra e do mundo arabo-muçulmano, com Master Mahjoub et les Gnawa de Marrakech
Canções yddish e klezmer, música céltica
Dansa a partir das paixões de Bach
Peças pra violão de Villa-Lobos
Tango
Fora a música clássica européia

Domingo, 19 de junho
Klezmer
Canção grega moderna
Djdjerridoo australiano
Música clássica afegã e indiana
Gamelão javanês
Música clássica do Yemen e afegã
Música irlandesa
Mais da música do kora do Mali
Fora a música clássica européia


Escrito por Mauricio às 13h48
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notas petelhas, para ler calmamente.

Enquanto não termino as notas sobre minha conversa com o rapaz que trabalha no mercado financeiro genebrino, publico alguns links que me ajudaram a entender os ventos petelhos que chegam do Planalto Central.

Não gosto da esquerda petista, nem de seus diagnósticos, nem de suas propostas. E me irrita essa história de pureza auto-atribuída de gente que se nega a lidar a com os dados de realidade. Falam de mobilizar o povo para pressionar o congresso. Além disso ser um populismo da pior espécie, parte de um pressuposto pra lá de falso: o povo é bom e os políticos maus. Caberia, como vanguarda popular, conscientizá-lo e mobilizá-lo em nome das boas causas. Tô fora!

Nunca fui muito fã da Articulação, de quem sempre ouvi os piores relatos de práticas autoritárias e aparelhistas. Agora, juntando fichas, chego à conclusão de que se fosse só autoritátia e aparelhista a coisa seria até que boa.

Mas eu tinha duas apostas: 1. a relaçào do PT com a intelectualidade (incluída a da igreja), que já gerou excelentes políticas públicas. 2. a relaçäo do PT com os movimentos sociais (incluídos os da igreja) ao longo de todo o Brasil, que poderia criar um canal entre Estado e Sociedade Civil pra lá de rico.
A constatação pura e simples é que essas duas apostas não vingaram. Por quê? ...

Será que uma burocracia se encastelou no poder e abafou a relação com essas fontes de legitimação e sustentação do PT? Nem é bom comparar os nomes que estavam nas secretarias das prefeituras petistas no começo dos anos 90, os nomes (e seus respectivos trabalhos, claro!) que o apoiaram com os que estão nos ministérios.

Pois bem, ver a esquerda petista simplória longe do núcleo do poder, honestamente, me agrada. Mas ver o debate criativo, os movimentos sociais e os setores realmente democráticos afastados, isso me entristece.

E olha que da política econômica, fico puto mesmo é com o fato de não fazerem economia cortando Aspones, curriolas e demais setores clientelistas e patrimonialistas. Sem falar, claro, nos tão famosos privilégios. Quem terá condições de botar a mão nessa cumbuca?

Mas seguem os links para ler e meditar.
Primeiro, depoimentos de dois ex-petistas que pularam do barco em 2003.

A entrevista do Gabeira na Veja:
http://www.e-agora.org.br/conteudo.php?cont=artigos&id=1707_0_3_0_M

Um texto do Eduardo Jorge publicado na Folha:
http://www.e-agora.org.br/conteudo.php?cont=artigos&id=1673_0_3_0_M

Depois, uma análise precisa de um articulista do blog tucano e-agora.org.br
http://www.e-agora.org.br/comentar.php?cont=notas&id=1658_0_27_0_M

E, para finalizar, a entrevista do economista Paulo de Tarso Venceslau lá nos idos de 97. Essa é mortal:
http://www.brasil.indymedia.org/pt/blue/2005/05/317373.shtml

Valer ler sem ódios nem paixões.
Quem sabe essa crise pode nos ajude a repensar uma esquerda popular e democrática no Brasil. Hoje, na primeira década do século XXI.

Por fim, segue uma boa provocação do Jefferson, não o Bob, o Péres:

http://www2.senado.gov.br/senamidia/parla/
noticiaDoDia1.asp?ud=20050616&datNoticia=20050224&codNoticia=
146502&nomJornal=Folha+de+S%2E+Paulo&nomParlamentar=Jefferson+Peres&codParlamentar=36

(quebrei o link, pois é do tamanho de um bonde)


Escrito por Mauricio às 08h06
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Imprensas estrangeiras e o Brasil

A imagem do Brasil e do Lula na imprensa francófona é pra lá de boa. O Le Monde vive dando notícias do Brasil, em geral positivas. Mas o maior exemplo foi a entrevista que Lula deu exclusivamente à Paris Match, à Radio France Internationale e à TV5.
A Paris Match é uma espécie de Revista Manchete, lembram-se? Semanalmente saem reportagens superficiais, claras e bem escritas sobre Deus e sua obra, sempre com muitas fotos. Aliás, a revista tem um lugar de destaque na história do foto-jornalismo.
Pois bem, na semana em que saiu a entrevista do Lula, os cartazes de publicidade estampavam o seguinte: entrevista exclusiva com o presidente Lula. Sacaram?? A imensa classe média francófona sabe quem é esse tal de presidente Lula! Saberão o nome de mais quantos presidentes de fora da Europa? E vejam vocês que na época do referendo sobre a constituição européia, havia pesquisas alarmantes sobre o desconhecimento sobre a quantidade de países que compõem a União Européia. E a história vai além: o presidente Lula é trunfo pra vender revista. Mais que saberem quem é, têm curiosidade para saber sobre.
A reportagem foi pra lá de positiva. Eu a li inteira, realmente ele tava bem na fita. E bem na foto, era um Estadista.
Agora que estoura o escândalo do modo de criar apoio no Congresso, só leio pinceladas ralas na imprensa francófona, incluído aí o Le Monde e as principais revistas. É mais fácil falarem dos eventos do Ano do Brasil na França do que da crise política pra lá de séria. Acreditam que, antes do Jefferson abrir a boca, uma revista deu mais destaque à saída do PV da base de apoio que aos escândalos nos Correios? Vai aparecer uma excelente reportagem síntese daqui a alguns dias, é certo. Mas terá se passado um mês do início das turbulências.
No entanto, vejo pelas resenhas de Internet que o New York Times e o Financial Times estão atentos e acompanhando os movimentos mais curtos... Fazem bons diagnósticos e não esperam o bonde passar.
Por que esse descompasso entre o mundo francófono e anglofônico?
A ficha me caiu após a conversa com um rapaz que especula no mercado financeiro de Genebra. É tudo muito simples e óbvio: o Financial Times e o New York Times informam gente que movimenta muito dinheiro seja no Brasil, seja do Brasil. Essa imprensa não pode se dar ao luxo de superficialidades, nem de esperar o tempo passar para fazer uma grande síntese. O dia-a-dia é importante.
A relação suposta entre os leitores do Monde com o Brasil é de outra ordem. É da ordem das trocas culturais que são tão intensas entre nós, desde o século XIX, ao menos. É da ordem de um se informar genérico sobre o Brasil, esse país simpático onde muitos francófonos depositam tantas boas e sinceras expectativas. Mas tudo funciona num outro tempo e talvez seja mais urgente saber da tradução francesa do Budapeste do Chico, saber dos eventos do Ano do Brasil na França que saber quem é esse tal de Roberto Jefferson.
Os francófonos cujos negócios estão ligados ao Brasil lêem em inglês.


Escrito por Mauricio às 10h24
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O que é que a Suíça tem? Tem bancos, tem bancos tem!

Ontem tive uma conversa reveladora com um rapaz que trabalha no mercado financeiro genenebrino. Ele financia a compra e venda de matérias primas. No mundo todo, e não importa se é petróleo, soja ou aço.
Sabiam que oitenta por cento (80/100) do mercado de matérias primas é financiado pelos bancos genebrinos? E sabiam que Genebra é também a principal praça de gerenciamento de fortunas? Depois, seguem no ranking Londres e Nova Iorque.
Taí... você coloca sua fortuna no Crédit Suisse, no UBS ou em outros bancos com agências locais e os gerentes de fortuna vão multiplicá-la financiando o mercado internacional de matérias primas. Claro, eles especulam também com títulos públicos, ações e moedas.
Tudo é muito fácil, porque se você abrir uma conta num banco suíço, pode ter sub-contas em inúmeras moedas do mundo... Que tal um pouco de reais? Acho que vai valorizar... Clique. Hum.... é sempre bom um lastro em dólares... e em euros, embora esteja sobre-valorizado. Vá lá: pimba! Será que a moeda chinesa vai se valorizar? Talvez... mas em médio prazo... Pode ser a hora de fazer um colchão e apostar no tempo. Enter! E não será hora de comprar dólares canadenses? Ele me disse que sim. Outro clique.
Tudo ali... on-line.
E protegido pelo Sacro-Santo sigilo bancário Suíço.


Escrito por Mauricio às 10h23
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O que é que a Suíça tem? Tem poucos impostos, tem!

Mas... por que a Suíça é tão boa pro mercado financeiro?
Além dessa facilidade para as operações bancárias, ele falou do seguinte:
- impostos baixíssimos;
- ausência de impostos sobre herança;
- estabilidade política aflitiva;
- economia exportadora forte, de alto valor agregado;
- taxa de desemprego minúscula (em Genebra é bem grandinha..., mas tem pleno emprego em alguns cantões).

Ah... há alguns anos eles estão de olho no dinheiro sujo. Atenção ao depositar quantias acima de 200 mil dólares. Vão investigar e se houver indícios suficientes de origem suja, recusarão. O jeito, então, será partir para Londres ou para paraísos fiscais. Lá, aceitam.

E ainda conversamos sobre a América Latina e o Brasil. Sobre o paradoxo da necessidade de juros altos e câmbio baixo para controlar a inflação contra a necessidade juros baixos e câmbio alto para ampliar os investimentos.
O interesse desse rapaz bem informado é por uma economia produtiva forte... com muita classe média consumindo, poupando... com empresários investindo, lucrando. É daí que ele ganha, da alta liquidez criada pelas trocas financeiras. Sem economia produtiva forte, ele sabe que seus negócios correm em risco em médio e longo prazo.
Taí uma contradição do capitalismo contemporâneo. O mercado financeiro internacional depende da economia real forte mas vive em conflito com ela. Isso quando não destroça um país.


Escrito por Mauricio às 10h23
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Quando o porquê vira estranhamento.

O rapaz sabe para ganhar dinheiro.
Eu gosto de saber para entender.
A conversa foi boa, mas um tanto esquisita.


Escrito por Mauricio às 10h22
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O que é que a Suíça tem? Direita renhida, tem.

Entenderam porque a direita suíça quer a Suíça para quem já está aqui? Porque querem a Suíça longe da Europa, o franco ligeiramente desvalorizado? Porque querem as fronteiras controladas para a entrada de pobres do mundo? Porque querem o mercado bem fechado e protegido?
Faz todo o sentido, não?


Escrito por Mauricio às 10h22
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O primeiro sol da primavera. Pelo jeito, um mal-entendido.

Escrito por Mauricio às 10h38
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Ainda um mal-entendido.

A geração da esquerda que chega ao poder se formou na resistência a um regime autoritário. Os sindicatos estavam em luta contra os militares e contra os pelegos. Os militantes de partidos, mais ou menos reformistas, eram clandestinos. Até os liberais eram clandestinos durante o autoritarismo... Para muitos, valia a lógica de guerra, ou de guerrilha. Os meios não eram os da democracia republicana, pois ela não existia. Mas no final das contas, o que vemos são os meios. E não há nenhuma garantia de que o resultado seja o fim previsto. A nobreza dos fins resta lá, como pavimento do caminho do inferno.
Muitos grupos que assumiram poderes pegaram as estruturas públicas para si. É lógica de corporações, sejam elas quais forem e onde estiverem. Seja em partidos, sindicatos, associações, ongs, departamentos universitários.
Os inimigos são isolados, fuzilados ou mutilados. Que seja moralmente, que seja no impedimento de sua ação. Mas são.
Cumpriu-se uma missão. Méritos a quem de direito.
Mas não se aprendeu a ser republicano.
E a democracia ainda parece ser um mal-entendido.
Lamentavelmente.


Escrito por Mauricio às 09h06
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o dia em que o blog mudou de nome

Não sei como o título anterior foi lido. Era pra ser brincadeira com o jato d'água e pra ser uma provocação com a idéia de centro irradiador que paira nas nossas relações com a Europa.
Ai tive vontade de explicar. E piada explicada fica sem graça.
Taí outro gracejo, então.
Serve de batismo para o blog do retorno.


Escrito por Mauricio às 08h58
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O dia em que o blog parou.

O blog parou quando a primavera se anunciou.
Mas ela trouxe uma gripe antes que a vida.
Ninguém na cidade agüentava mais o frio, ainda que nem todos ficassem se queixando do ar gelado que nos envolvia por todos os lados. Mas havia um consenso: o inverno já tinha dado. Especialmente porque foi o mais rigoroso dos últimos tempos.
Foi impressionante, a mudança de estação. Frio num dia. No outro, um pouco menos. No seguinte, pimba! Era a primavera.
Parece que alguém havia mudado uma chave em algum lugar. A luz ficou mais clara e viva, a temperatura subiu um bom tanto... O ar já não era gélido.
Nesse mesmo dia do primeiro sol da primavera andei pela cidade. As pessoas voltaram às ruas. Os cafés e restaurantes voltaram a colocar mesas nas calçadas. Sobretudo, os parques encheram de gente. Era a volta à vida pública.
Daí eu me empolguei... saí de bermuda e chinelo e camiseta.
E gripei....
E a primavera se mostrou um engodo... Frio... Chuva... Tempo nublado.... Baaof!
E fora o mau-humor com coisas cotidianas...
E fora as perdas.
E fora o mergulho na tese....
Na primavera as folhas voltaram. Mas foi quando meu saco encheu. Até o limite.



Escrito por Mauricio às 08h55
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Na verdade, ...

Na verdade, escrevi pra mim mesmo nesse período. Pouco, mas escrevi. Estava precisando escrever para o velho e bom diário. Pro interlocutor que é eu mesmo, todo mundo e ninguém.
Os primeiros escritos desse blog eram assim: diário publicável.
Depois, quando foi aumentando o fluxo de leitores, comecei a escrever pra blog.
É diferente....
Pois bem, como eu estava mau-humorado, os textos saíram muito bravos. Duros. Secos. Densos. E talvez fossem injustos, também.
Dei tempo ao tempo.



Escrito por Mauricio às 08h49
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E agora...?

E agora que estou me preparando pra voltar.
Por um tempo, tive medo do Brasil. Medo da mó de moer projetos de vida que funciona a todo vapor por aí. É bom temê-la... Ela é como mar bravo, se a gente tá dentro dele. É bom conhecer bem o movimento, ficar atento às ondas e à correnteza, marcar pontos de referência em terra firme. Sobretudo, é importante respeitá-lo. E não dar passo em falso.
Depois, o medo diminuiu e fiquei dividido. Queria estar aí mas sem muitas coisas que terei de reviver e queria ter coisas que tenho aqui! Ou seja, caí numa sinuca de bico. Queria o impossível... mas era o sentimento.
Agora quero voltar. Estou fazendo balanços e me sinto no final de um período que começou com data certa para se encerrar. A volta sempre esteve marcada. Eu tinha algo a cumprir para mim mesmo.
Sinto que já cumpri. Estou satisfeito.
Já posso voltar pra casa.
E no mais, estou cansado daquele cansaço de fim de ano...
Quero banho de mar, namorar, dormir...
... e reorganizar a vida.


Escrito por Mauricio às 08h47
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