Da beira do lago


notas petelhas, para ler calmamente.

Enquanto não termino as notas sobre minha conversa com o rapaz que trabalha no mercado financeiro genebrino, publico alguns links que me ajudaram a entender os ventos petelhos que chegam do Planalto Central.

Não gosto da esquerda petista, nem de seus diagnósticos, nem de suas propostas. E me irrita essa história de pureza auto-atribuída de gente que se nega a lidar a com os dados de realidade. Falam de mobilizar o povo para pressionar o congresso. Além disso ser um populismo da pior espécie, parte de um pressuposto pra lá de falso: o povo é bom e os políticos maus. Caberia, como vanguarda popular, conscientizá-lo e mobilizá-lo em nome das boas causas. Tô fora!

Nunca fui muito fã da Articulação, de quem sempre ouvi os piores relatos de práticas autoritárias e aparelhistas. Agora, juntando fichas, chego à conclusão de que se fosse só autoritátia e aparelhista a coisa seria até que boa.

Mas eu tinha duas apostas: 1. a relaçào do PT com a intelectualidade (incluída a da igreja), que já gerou excelentes políticas públicas. 2. a relaçäo do PT com os movimentos sociais (incluídos os da igreja) ao longo de todo o Brasil, que poderia criar um canal entre Estado e Sociedade Civil pra lá de rico.
A constatação pura e simples é que essas duas apostas não vingaram. Por quê? ...

Será que uma burocracia se encastelou no poder e abafou a relação com essas fontes de legitimação e sustentação do PT? Nem é bom comparar os nomes que estavam nas secretarias das prefeituras petistas no começo dos anos 90, os nomes (e seus respectivos trabalhos, claro!) que o apoiaram com os que estão nos ministérios.

Pois bem, ver a esquerda petista simplória longe do núcleo do poder, honestamente, me agrada. Mas ver o debate criativo, os movimentos sociais e os setores realmente democráticos afastados, isso me entristece.

E olha que da política econômica, fico puto mesmo é com o fato de não fazerem economia cortando Aspones, curriolas e demais setores clientelistas e patrimonialistas. Sem falar, claro, nos tão famosos privilégios. Quem terá condições de botar a mão nessa cumbuca?

Mas seguem os links para ler e meditar.
Primeiro, depoimentos de dois ex-petistas que pularam do barco em 2003.

A entrevista do Gabeira na Veja:
http://www.e-agora.org.br/conteudo.php?cont=artigos&id=1707_0_3_0_M

Um texto do Eduardo Jorge publicado na Folha:
http://www.e-agora.org.br/conteudo.php?cont=artigos&id=1673_0_3_0_M

Depois, uma análise precisa de um articulista do blog tucano e-agora.org.br
http://www.e-agora.org.br/comentar.php?cont=notas&id=1658_0_27_0_M

E, para finalizar, a entrevista do economista Paulo de Tarso Venceslau lá nos idos de 97. Essa é mortal:
http://www.brasil.indymedia.org/pt/blue/2005/05/317373.shtml

Valer ler sem ódios nem paixões.
Quem sabe essa crise pode nos ajude a repensar uma esquerda popular e democrática no Brasil. Hoje, na primeira década do século XXI.

Por fim, segue uma boa provocação do Jefferson, não o Bob, o Péres:

http://www2.senado.gov.br/senamidia/parla/
noticiaDoDia1.asp?ud=20050616&datNoticia=20050224&codNoticia=
146502&nomJornal=Folha+de+S%2E+Paulo&nomParlamentar=Jefferson+Peres&codParlamentar=36

(quebrei o link, pois é do tamanho de um bonde)


Escrito por Mauricio às 08h06
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Imprensas estrangeiras e o Brasil

A imagem do Brasil e do Lula na imprensa francófona é pra lá de boa. O Le Monde vive dando notícias do Brasil, em geral positivas. Mas o maior exemplo foi a entrevista que Lula deu exclusivamente à Paris Match, à Radio France Internationale e à TV5.
A Paris Match é uma espécie de Revista Manchete, lembram-se? Semanalmente saem reportagens superficiais, claras e bem escritas sobre Deus e sua obra, sempre com muitas fotos. Aliás, a revista tem um lugar de destaque na história do foto-jornalismo.
Pois bem, na semana em que saiu a entrevista do Lula, os cartazes de publicidade estampavam o seguinte: entrevista exclusiva com o presidente Lula. Sacaram?? A imensa classe média francófona sabe quem é esse tal de presidente Lula! Saberão o nome de mais quantos presidentes de fora da Europa? E vejam vocês que na época do referendo sobre a constituição européia, havia pesquisas alarmantes sobre o desconhecimento sobre a quantidade de países que compõem a União Européia. E a história vai além: o presidente Lula é trunfo pra vender revista. Mais que saberem quem é, têm curiosidade para saber sobre.
A reportagem foi pra lá de positiva. Eu a li inteira, realmente ele tava bem na fita. E bem na foto, era um Estadista.
Agora que estoura o escândalo do modo de criar apoio no Congresso, só leio pinceladas ralas na imprensa francófona, incluído aí o Le Monde e as principais revistas. É mais fácil falarem dos eventos do Ano do Brasil na França do que da crise política pra lá de séria. Acreditam que, antes do Jefferson abrir a boca, uma revista deu mais destaque à saída do PV da base de apoio que aos escândalos nos Correios? Vai aparecer uma excelente reportagem síntese daqui a alguns dias, é certo. Mas terá se passado um mês do início das turbulências.
No entanto, vejo pelas resenhas de Internet que o New York Times e o Financial Times estão atentos e acompanhando os movimentos mais curtos... Fazem bons diagnósticos e não esperam o bonde passar.
Por que esse descompasso entre o mundo francófono e anglofônico?
A ficha me caiu após a conversa com um rapaz que especula no mercado financeiro de Genebra. É tudo muito simples e óbvio: o Financial Times e o New York Times informam gente que movimenta muito dinheiro seja no Brasil, seja do Brasil. Essa imprensa não pode se dar ao luxo de superficialidades, nem de esperar o tempo passar para fazer uma grande síntese. O dia-a-dia é importante.
A relação suposta entre os leitores do Monde com o Brasil é de outra ordem. É da ordem das trocas culturais que são tão intensas entre nós, desde o século XIX, ao menos. É da ordem de um se informar genérico sobre o Brasil, esse país simpático onde muitos francófonos depositam tantas boas e sinceras expectativas. Mas tudo funciona num outro tempo e talvez seja mais urgente saber da tradução francesa do Budapeste do Chico, saber dos eventos do Ano do Brasil na França que saber quem é esse tal de Roberto Jefferson.
Os francófonos cujos negócios estão ligados ao Brasil lêem em inglês.


Escrito por Mauricio às 10h24
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O que é que a Suíça tem? Tem bancos, tem bancos tem!

Ontem tive uma conversa reveladora com um rapaz que trabalha no mercado financeiro genenebrino. Ele financia a compra e venda de matérias primas. No mundo todo, e não importa se é petróleo, soja ou aço.
Sabiam que oitenta por cento (80/100) do mercado de matérias primas é financiado pelos bancos genebrinos? E sabiam que Genebra é também a principal praça de gerenciamento de fortunas? Depois, seguem no ranking Londres e Nova Iorque.
Taí... você coloca sua fortuna no Crédit Suisse, no UBS ou em outros bancos com agências locais e os gerentes de fortuna vão multiplicá-la financiando o mercado internacional de matérias primas. Claro, eles especulam também com títulos públicos, ações e moedas.
Tudo é muito fácil, porque se você abrir uma conta num banco suíço, pode ter sub-contas em inúmeras moedas do mundo... Que tal um pouco de reais? Acho que vai valorizar... Clique. Hum.... é sempre bom um lastro em dólares... e em euros, embora esteja sobre-valorizado. Vá lá: pimba! Será que a moeda chinesa vai se valorizar? Talvez... mas em médio prazo... Pode ser a hora de fazer um colchão e apostar no tempo. Enter! E não será hora de comprar dólares canadenses? Ele me disse que sim. Outro clique.
Tudo ali... on-line.
E protegido pelo Sacro-Santo sigilo bancário Suíço.


Escrito por Mauricio às 10h23
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O que é que a Suíça tem? Tem poucos impostos, tem!

Mas... por que a Suíça é tão boa pro mercado financeiro?
Além dessa facilidade para as operações bancárias, ele falou do seguinte:
- impostos baixíssimos;
- ausência de impostos sobre herança;
- estabilidade política aflitiva;
- economia exportadora forte, de alto valor agregado;
- taxa de desemprego minúscula (em Genebra é bem grandinha..., mas tem pleno emprego em alguns cantões).

Ah... há alguns anos eles estão de olho no dinheiro sujo. Atenção ao depositar quantias acima de 200 mil dólares. Vão investigar e se houver indícios suficientes de origem suja, recusarão. O jeito, então, será partir para Londres ou para paraísos fiscais. Lá, aceitam.

E ainda conversamos sobre a América Latina e o Brasil. Sobre o paradoxo da necessidade de juros altos e câmbio baixo para controlar a inflação contra a necessidade juros baixos e câmbio alto para ampliar os investimentos.
O interesse desse rapaz bem informado é por uma economia produtiva forte... com muita classe média consumindo, poupando... com empresários investindo, lucrando. É daí que ele ganha, da alta liquidez criada pelas trocas financeiras. Sem economia produtiva forte, ele sabe que seus negócios correm em risco em médio e longo prazo.
Taí uma contradição do capitalismo contemporâneo. O mercado financeiro internacional depende da economia real forte mas vive em conflito com ela. Isso quando não destroça um país.


Escrito por Mauricio às 10h23
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Quando o porquê vira estranhamento.

O rapaz sabe para ganhar dinheiro.
Eu gosto de saber para entender.
A conversa foi boa, mas um tanto esquisita.


Escrito por Mauricio às 10h22
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O que é que a Suíça tem? Direita renhida, tem.

Entenderam porque a direita suíça quer a Suíça para quem já está aqui? Porque querem a Suíça longe da Europa, o franco ligeiramente desvalorizado? Porque querem as fronteiras controladas para a entrada de pobres do mundo? Porque querem o mercado bem fechado e protegido?
Faz todo o sentido, não?


Escrito por Mauricio às 10h22
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