Da beira do lago




O primeiro sol da primavera. Pelo jeito, um mal-entendido.

Escrito por Mauricio às 10h38
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Ainda um mal-entendido.

A geração da esquerda que chega ao poder se formou na resistência a um regime autoritário. Os sindicatos estavam em luta contra os militares e contra os pelegos. Os militantes de partidos, mais ou menos reformistas, eram clandestinos. Até os liberais eram clandestinos durante o autoritarismo... Para muitos, valia a lógica de guerra, ou de guerrilha. Os meios não eram os da democracia republicana, pois ela não existia. Mas no final das contas, o que vemos são os meios. E não há nenhuma garantia de que o resultado seja o fim previsto. A nobreza dos fins resta lá, como pavimento do caminho do inferno.
Muitos grupos que assumiram poderes pegaram as estruturas públicas para si. É lógica de corporações, sejam elas quais forem e onde estiverem. Seja em partidos, sindicatos, associações, ongs, departamentos universitários.
Os inimigos são isolados, fuzilados ou mutilados. Que seja moralmente, que seja no impedimento de sua ação. Mas são.
Cumpriu-se uma missão. Méritos a quem de direito.
Mas não se aprendeu a ser republicano.
E a democracia ainda parece ser um mal-entendido.
Lamentavelmente.


Escrito por Mauricio às 09h06
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o dia em que o blog mudou de nome

Não sei como o título anterior foi lido. Era pra ser brincadeira com o jato d'água e pra ser uma provocação com a idéia de centro irradiador que paira nas nossas relações com a Europa.
Ai tive vontade de explicar. E piada explicada fica sem graça.
Taí outro gracejo, então.
Serve de batismo para o blog do retorno.


Escrito por Mauricio às 08h58
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O dia em que o blog parou.

O blog parou quando a primavera se anunciou.
Mas ela trouxe uma gripe antes que a vida.
Ninguém na cidade agüentava mais o frio, ainda que nem todos ficassem se queixando do ar gelado que nos envolvia por todos os lados. Mas havia um consenso: o inverno já tinha dado. Especialmente porque foi o mais rigoroso dos últimos tempos.
Foi impressionante, a mudança de estação. Frio num dia. No outro, um pouco menos. No seguinte, pimba! Era a primavera.
Parece que alguém havia mudado uma chave em algum lugar. A luz ficou mais clara e viva, a temperatura subiu um bom tanto... O ar já não era gélido.
Nesse mesmo dia do primeiro sol da primavera andei pela cidade. As pessoas voltaram às ruas. Os cafés e restaurantes voltaram a colocar mesas nas calçadas. Sobretudo, os parques encheram de gente. Era a volta à vida pública.
Daí eu me empolguei... saí de bermuda e chinelo e camiseta.
E gripei....
E a primavera se mostrou um engodo... Frio... Chuva... Tempo nublado.... Baaof!
E fora o mau-humor com coisas cotidianas...
E fora as perdas.
E fora o mergulho na tese....
Na primavera as folhas voltaram. Mas foi quando meu saco encheu. Até o limite.



Escrito por Mauricio às 08h55
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Na verdade, ...

Na verdade, escrevi pra mim mesmo nesse período. Pouco, mas escrevi. Estava precisando escrever para o velho e bom diário. Pro interlocutor que é eu mesmo, todo mundo e ninguém.
Os primeiros escritos desse blog eram assim: diário publicável.
Depois, quando foi aumentando o fluxo de leitores, comecei a escrever pra blog.
É diferente....
Pois bem, como eu estava mau-humorado, os textos saíram muito bravos. Duros. Secos. Densos. E talvez fossem injustos, também.
Dei tempo ao tempo.



Escrito por Mauricio às 08h49
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E agora...?

E agora que estou me preparando pra voltar.
Por um tempo, tive medo do Brasil. Medo da mó de moer projetos de vida que funciona a todo vapor por aí. É bom temê-la... Ela é como mar bravo, se a gente tá dentro dele. É bom conhecer bem o movimento, ficar atento às ondas e à correnteza, marcar pontos de referência em terra firme. Sobretudo, é importante respeitá-lo. E não dar passo em falso.
Depois, o medo diminuiu e fiquei dividido. Queria estar aí mas sem muitas coisas que terei de reviver e queria ter coisas que tenho aqui! Ou seja, caí numa sinuca de bico. Queria o impossível... mas era o sentimento.
Agora quero voltar. Estou fazendo balanços e me sinto no final de um período que começou com data certa para se encerrar. A volta sempre esteve marcada. Eu tinha algo a cumprir para mim mesmo.
Sinto que já cumpri. Estou satisfeito.
Já posso voltar pra casa.
E no mais, estou cansado daquele cansaço de fim de ano...
Quero banho de mar, namorar, dormir...
... e reorganizar a vida.


Escrito por Mauricio às 08h47
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Pois bem...

Prometo para mim mesmo, então, retomar o blog nesse finzinho de estadia. Encarem o silêncio primaveril como um de seus capítulos. Nele houve a primavera frustrada e o tempo de recolhimento. Necessário. E em tempo.


Escrito por Mauricio às 08h43
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