Outros carnavais
Talvez eu devesse chamar esse relato de "estranhamento explícito". Mas fica a alternativa polida aí de cima, mesmo. O relato:
Como resumiu Laurent, que é genebrino, o carnaval na Suíça existe em Basel e em Lucerne. Ou seja, não existe em Genebra. Há um movimento para criar uma tradição carnavalesca por essas bandas, coisas do desenvolvimento da vida urbana e da perda da centralidade da religião na organização da vida, ele comentou.
O grupo que organiza os festejos de Momo (?!?!?!?!) na terra que já foi de Calvino argumenta que antes da Reforma havia festejos carnavalescos por aqui e que patati patatá... Ah, o que não fazem para fundar tradição...???
O fato é que o carnaval aconteceu duas semanas depois do início do seu início em quase todo o resto do mundo! Não me peçam explicações.
Um evento foi uma travessia do Rhône em canoas enfeitadas. A confiar no relato de um português e de uma alemã que foram conferir, incluídas as crianças, havia cerca de 30 pessoas. Mas....
... mas isso foi no sábado, porque no domingo bem cedinho, às 5 da manhã, houve ou haveria, sei lá que tempo verbal usar, pois não me dei ao trabalho de acordar pra ver; enfim, a confiar no projeto dos foliões, houve uma aparição silenciosa (sic!) de mascarados numa rua da cidade velha.
Laurent comentou, ainda, que em Basel os festejos que sobreviveram têm origem no carnaval dos protestantes, que começava às 5 da manhã do dia seguinte ao fim do carnaval dos católicos. Uma batalha de carnavais, vejam só!
Não me dei ao trabalho de investigar a estranha razão de ser dessa reinvenção genebrina.
Na tarde de domingo, houve desfile de blocos, ou coisa que o valha. Na verdade, tava mais pra desfile de danças nacionais, eram uns 10 grupos de gente da América espanhola e um que só vi ao longe, mas que me pareceu ter símbolos de indígenas norte-americanos. As músicas, como é de se esperar, estavam longe de fazer o público cair na folia.
A cidade estava lotada!!! Quem conseguiu animar a festa, ainda que encobrisse com o seu som os quem desfilava à sua frente, foi um grupo com cerca de 10 baterias e um nipe de metais que tocava algo próximo de um rock com sotaque de blues.
Ninguém dançou. Ninguém saiu atrás do último bloco.
O espírito carnavalesco, mesmo, existe na principal festa nacional – a Escalada – quando as pessoas saem pelas ruas em bandos de mascarados e, aí sim, se permitem fazer da cidade e das relações do dia-a-dia o material para se criar o espaço e o tempo da brincadeira.
ps: maiores informações: http://www.carnaval-geneve.ch/
Escrito por Mauricio às 07h23
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