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trilhas

Escrito por Mauricio às 20h05
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A primeira neve ...
… a gente não esquece !
Num seminário há alguns meses, um professor parisiense me contou que um ex-orientando teve um prazer todo infantil ao ver a neve caindo. E o termo veio mais algumas vezes: prazer infantil. Uma colega suíça – que gosta de brincar com meus sem-jeito nas coisas e palavras – brincou comigo: prazer infantil....
Eu nunca neguei que era! Aliás, tinham me prometido que seria! Eu o esperava. E passei a dizer: prazer infantil sem nenhum problema.
O primeiro anúncio foi já no ano passado, assim: viu a neve essa noite? Eu: não... vi sobre um carro, mas achei que ele vinha de longe. Não, caiu aqui em Genebra mesmo, mas pouco. Ah... que pena, não vi...
Em Paris, tinha uma ligeira camada de gelo nas ruas e jardins, como de uma geada. E, claro, uma pedra de gelo na rua... como gosto de chutar pedras enquanto ando, chutei gelo. Hum... estranho, mas bom.
Mas eis que ela chegou. Saio de casa e vejo a praça toda branca. Oh-oou!! Olhei atento. Tinha nevado bastante durante a noite. Sai e andei olhando sem me fixar em ponto algum. Genebra estava branca... Me deixei guiar pelos olhos que buscavam as tiras de neve repousadas sobre a cidade. Depois, fui trabalhar encantado. Cheguei no escritório, comentei com minha colega. Ah, é... se você olhar pela janela vai ver ela caindo... Me viro e tem pequenos flocos caindo lentamente. Ah, me desculpe o trabalho, mas essa é uma parte importante da viagem. Ela brincou: pretexto, heim... Eu: não, vou deixar o trabalho convicto. No caminho, passei no escritório de um colega suíço e comentei que ia, enfim, ver a dita-cuja a cair. Ele sorriu.
Saio e me deixo ser o repouso dos pequenos flocos que logo derretiam. Mas em minutos o azul tomou conta do céu e a neve parou de cair. Foi pouco e breve, mas foi a primeira vez.
Escrito por Mauricio às 20h03
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pegada

Escrito por Mauricio às 20h02
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A primeira nunca é a melhor...
Mas com sorte há a segunda. E foi pra eu me esbaldar!!! Nevou aos borbotões. A neve mais forte desde 85! E depois, já contei: ela virou gelo... A cidade ficou cerca de duas semanas coberta por uma crosta de gelo.
Depois, esquentou um pouco... Saí de casa me sentindo à vontade com o termômetro! Estava um grau!! Temperatura agradável...
Mas já tá bom.
Agora quero a primavera!
Já fiz meu turismo de inverno!!!
Escrito por Mauricio às 20h00
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Caricaturas estereótipos e subprodutos.
Voltando ao assunto, ou jamais conseguindo me livrar verdadeiramente dele.
Falo das caricaturas de Brasil e de brasileiros por um motivo simples: elas me afetam diretamente; ou, ao menos, porque elas me incomodam pelo simples fato de poderem me afetar. Errado ou certo, acabo agindo por associação. É mais ou menos assim, se existe uma caricatura sobre o Brasil e se sou brasileiro, em algum momento ela pode vir pra cima de mim.
Mas é preciso fazer justiça e reconhecer que essas imagens generalizantes e redutoras estão por toda a parte e que todos somos, guardadas as peculiaridades, vítimas de sua maldição. Maldição em todos os sentidos, pois é como uma fantasmagoria e porque é uma coisa que faz mal quando se apresenta. E sempre se apresenta. Pode se atrasar, mas numa hora ou outra, chega pro concerto da desarmonia.
Uma amiga holandesa me contava do seu saco cheio, pois sempre falavam dos holandeses como permissivos, drogados e derivados. Holanda, terra da liberação da piração privada!! Ela me dizia isso com enfado e demonstrando não ter saco pra explicar o lugar do I e onde deveria estar o pingo.
Os colegas alemães parecem de saco cheio com a fama de durões, rigorosos e bravos. E o nazismo é uma ferida que me parece mal gerida por todos... não deve ser legal a pecha de vilões da história...
Um basco, quando o assunto caiu nisso – sempre cai, é impressionante – expressou seu cansaço com uma pergunta: e a fama de terrorista que fica soltando bomba?
Os suíços não demonstram muita alegria com as piadinhas que os pintam como caretas, minuciosos e certinhos sem vida, ainda que ricos. Na caricatura, eles fazem funcionar mas não fazem vibrar.
Para o leste europeu o fardo vai com uma lista imensa e pesada de atributos. Putas, problemas, pobreza e guerras. Salvo as guerras e os problemas mais caseiros, posto que europeus, como se vê, as putas e a pobreza não são monopólios brazucas. Mas os travestis continuam verde-e-amarelo. As russas que conheci não me pareceram felizes com essa carga adicionada ao militarismo e às tendências de império totalitário.
A lista está aberta, o texto sem fim... fica aqui só o que veio à memória. De qualquer modo, abrir a lista me faz evitar que essa encrenca apareça como um problema exclusivo de uns ou de outros. É de todos, e pra todos.
Escrito por Mauricio às 17h46
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Frio glacial.
Era essa a manchete de um jornal local, na semana passada.
Nevou um bocado.
Depois a neve virou gelo.
E a bise veio forte. É um vento frio que dói e que baixou a sensação térmica – que é o que interessa, como resumiu um rapaz aqui do foyer – pra menos 15.
E o gelo cobriu a cidade e foi dando formas e cores novas pra Genebra.
A foto abaixo foi feita num local onde se pode nadar. Durante o verão, claro.
Escrito por Mauricio às 20h52
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Torneada de gelo
Escrito por Mauricio às 20h50
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Programando o após tudo
Janeiro já se foi… Não tem jeito, o ano já engatou. É estranho pensar, mas os alunos estão terminando agora o primeiro semestre, o de inverno, que começou em setembro passado. São três semanas de provas e uma de descanso. Depois, o semestre de verão, que acaba no fim de junho, quando a cidade estará como a peguei. Aí será a hora de voltar...
Como se vê, o Brasil começa a ficar mais próximo no meu calendário.
Olhar para o Brasil do meio do cominho me dispara um batalhão de sentimentos contraditórios. Desejo de voltar, mas vontade de não sair da boa vida de bolsista com excelente estrutura de trabalho. Medo da roda-viva e da mó de triturar gente paulistanas, mas vontade de voltar pra casa, após tudo.
Escrito por Mauricio às 20h40
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Cidade de Deus e Orfeu Negro. Carandiru de quebra.
Cada vez me irrita mais como os brasileiros pintam o Brasil por essas bandas.
A lista de besteiras que ouço por ser brasileiro não para de crescer, mas não vale a pena enumerar asneiras, esnobadas e similares.
No final das contas, para quem nos vê, somos um povo de oitos e de oitentas. Não nada nos dois extremos e o que aparece – e seduz – é o oito: sexo, praia, calor, pobres, violência, mata, dança, futebol e companhia bela. A brava gente é também coitadinha, submissa e tá sempre precisando de amparo e proteção.
É irritante.
Dois filmes brasileiros lideram a lista dos assistidos por gente de tudo quanto é canto: Cidade de Deus e Orfeu Negro, o original.
Orfeu espantou uma inglesa estudante de literatura em Oxford pela espontaneidade da gente festiva. E pensar que quando o vi, acho que em 2001, eu e mais alguns que estávamos no Centro Cultural Banco do Brasil não resistimos e demos algumas boas risadas ao vermos logo na primeira cena o tom que domina: uma baita forçada de barra com aquela gente que mal se olha e larga tudo pra começar a sambar e a sorrir e a cantar!!!
Como diria ironicamente um colega meio alemão, meio espanhol: “ué, e não é assim?”. Depois que contei pra ele do dia em que me perguntaram se sei andar rápido, ele sempre quer saber se tenho novidades!
Mas voltando às telas, Cidade de Deus impressiona. O pior do filme é que ele é bom, mata a pau. Arrebata, horroriza e depois larga no mundo quem o vê. Pode parecer paradoxal, mas não é. Não é porque as pessoas vêem esse filme querendo conhecer o Brasil. E o fato de ser baseado em fatos reais dá a ele um ar de documentário. E aí a ficção vira realidade na cabeça de quem o vê. A discussão ética sobre esse filme não foi bem feita. Tampouco a política.
E por falar em ambigüidade entre documentário e ficção, outro citado foi Carandiru. Quando o vi, no dia seguinte acordei pensando no fascínio que ele me causou, ainda que eu não tivesse gostado narrativa. Cheguei à conclusão de que ele é um Big Brother do inferno. Vamos pras profundezas sem precisar beijar o demônio, pois é filme.
Mas o diabo é que é meio documental. E é assim que vamos, reforçando estereótipos e ainda desejando o Oscar!
Aí não dá nem pra reclamar de quem pergunta se conseguimos andar rápido...
Escrito por Mauricio às 20h39
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Música de filme
Pelo menos Orfeu Negro e Cidade de Deus têm músicas fantásticas.
Ouço agora o CD do segundo. Tim Maia fazendo duo com um contrabaixo e, depois, com uma guitarra, “o caminho do bem”. Está comigo porque um alemão me emprestou, um tanto encantado pelo samba e samba-rock.
Há alguns meses, Orfeu rendeu uma cena inusitada. Um coreano de nome Marcelino conhece todos os grandes clássicos da Bossa Nova. Mostrei pra ele Manhã de Carnaval no arranjo maravilhoso da Oficina de Cordas de Pernambuco. Ele ouviu todo emocionado e começou a cantar... em coreano. Sorri e disse que era engraçado ouvi-la em coreano.
Ele, com ar de quem não gostou: mas estão todas traduzidas pro inglês!
Eu, tentando explicar: mas...
Ele, batendo de primeira: é uma língua como qualquer outra.
Depois, a explicação: o filme fez muito sucesso por lá e começaram a fazer versões. Não é implicação minha, mas eu nunca imaginei essa hipótese. Orfeu Negro em Seul
Escrito por Mauricio às 20h38
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